quinta-feira, 1 de maio de 2014

A morte de um amigo...

Percebi que ele não andava bem...
Se afastou, experimentou, chorou, ousou, machucou, abandonou sua própria vida.
Andava aéreo, percorrendo céus estranhos, escuros, acompanhado de amigos desconhecidos, talvez interessantes.
Suas histórias recentes tornaram tristes. Os sorrisos de inverdade o envelheceu. As rugas apareceram e muitos desapareceram.
Ele decidiu viver o seu mundo apenas, irreal, talvez real, surreal.
Suas palavras ficaram incoerentes, seus argumentos fracos, sua cabeça "dura".
Percebi que ele nada mais realizava. Seus sonhos haviam morrido e seus desejos se descontrolaram.
Não o reconheci nas suas últimas horas. Me olhou sem me enxergar e seu dedo apontado para mim envolto com suas palavras fortes e em tom alto me confundiu e eu não o compreendia mais.
Ele desabafou. Talvez soubesse que aquelas seriam suas últimas palavras.
Enquanto seu coração sangrava, a natureza presente testemunhava, também condenava, mas, acolhia e confortava. Meus pensamentos naquela hora vagaram, ou melhor, se dispersaram para momentos que me remetia a figura daquele que um dia eu chamei de amigo.
Vai deixar saudade. Saudade das histórias que construíamos e desconstruíamos inúmeras vezes. Bastava um motivo em comum.
A luta para apagar a imagem que ficou é grande.
Forte, agressiva, espantosa...
Não foi bonito ouvir suas últimas palavras.
Sua última frase soou fria e a minha também. Era tarde, o sereno havia congelado nossos corações.
Agora velo a morte de um amigo.
Ele se foi...
Pena que se foi...
Somos muito jovens...
Leandro Perez
01/05/2014